André Urani

André Urani criou o Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade, que daria ênfase à produção de conhecimento e propostas para a metrópole fluminense. Urani morreu em dezembro de 2011, aos 51 anos. Sua dedicação ao estudo do Rio de Janeiro até hoje norteia as atividades do IETS.

O legado de André Urani

Italiano de nascimento, o economista André Urani dedicou a maior parte de sua carreira a pensar e trabalhar pelo Rio de Janeiro. A fundação do IETS é um dos capítulos desta história de amor pelo Rio. Em 1999, quando era secretário municipal do Trabalho, o economista percebeu a necessidade de um espaço de articulação dos pesquisadores dedicados ao estudo da desigualdade, da pobreza e outros temas relacionados à agenda social. Foi assim que, à frente de um grupo de outros economistas, Urani criou o Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade, que daria ênfas à produção de conhecimento e propostas para a metrópole fluminense.

Manuel Thedim, diretor executivo do IETS e parceiro de Urani em muitas iniciativas, conta que a nova organização teve desde o início o objetivo de implantar e propor políticas que garantissem um desenvolvimento mais equitativo do Rio de janeiro. "O IETS sempre teve o compromisso de olhar para o Rio na formulação de políticas públicas", diz Thedim. Um compromisso que também permeou a carreira de Urani: dos cinco livros de que foi autor, três são sobre o Rio de Janeiro.

Em 2007, Urani foi um dos autores do livro A hora e a vez do Rio de Janeiro e o Novo Governo - Desenvolvimento, Segurança e Favelas, que discutia oportunidades para que o Rio de Janeiro voltasse a crescer, após anos de fraco dinamismo econômico. Em 2008, no livro Trilhas Para o Rio - do Reconhecimento da Queda à Reinvenção do Futuro, baseado em pesquisas do IETS, apontava os principais desafiso da metrópole e propunha soluções para o fim da letargia fluminense. Em meados de 2010, Urani e o também economista Fabio Giambiagi organizaram a coletânea de artigos Rio: a hora da virada, onde eram apontadas oportunidades para o desenvolvimento do estado, como o potencial nas áreas de petróleo e gás, siderurgia e infraestrutura; e comentado o impacto de fatores como as UPPs e a a realização da Copa do Mundo e das Olimpíadas de 2016.

Sob a direção de Urani, o IETS se estaleceu como um importante centro de pesquisa e reflexão sobre a cidade e o estado do Rio de Janeiro. Alguns exemplos: em 2005, Urani coordenou uma "Análise do Rio de Janeiro a partir do Atlas de Desenvolvimento Humano", com o objetivo de produzir um livro a partir da análise de informações extraídas do Atlas, buscando dar subsídios para a formulação de políticas públicas focalizadas nas principais deficiências do Rio de Janeiro.

Em 2009, foi o editor responsável de uma edição especial do boletim "Empreendedorismo do Rio de Janeiro: Conjuntura e Análise". Aproveitando o último lançamento da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD/IBGE) de 2008, o boletim analisou a evolução dos indicadores de mercado de trabalho e o empreendedorismo no estado. Ele também foi autor do estudo "Desenvolvimento da Região Metropolitana do Rio de Janeiro" juntamente com Adriana Fontes, Ivo Chermont e Rudi Rocha. Nele, os quatro autores analisam o desenvolvimento da metrópole do Rio de Janeiro, relacionando o crescimento econômico, distribuição de renda e qualidade de vida da população.

Doente de câncer, Urani ainda assim continuou a trabalhar. No TEDxRIO, em junho de 2011, Urani comparou a doença aos problemas enfrentados pelo Rio de Janeiro. "A doença é uma oportunidade. Se você quiser se curar, o caminho é tentar levar uma vida mais condizente com você mesmo". E, continuando a metáfora, concluiu: "Qual a doença do Rio? Nós perdemos, ao longo dos últimos anos, todas as razões que fizeram essa cidade uma das 15 maiores metrópoles do mundo". Segundo Urani, o esvaziamento político e econômico da metrópole fez com que ’nós’, cariocas, perdêssemos a nossa cara, nossa identidade?. A doença do Rio é ficar preso ao passado, sem ter metas para o futuro, ressaltou Urani.

André Urani morreu em dezembro de 2011, aos 51 anos. Sua dedicação ao estudo do Rio de Janeiro até hoje norteia as atividades do IETS.


André esteve participando em todas iniciativas relevantes, sempre com destaque e deixando sua marca de competência e crença que os homens constroem o seu futuro com trabalho e perseverança.

(Alquéres para André)

Um fino senso de humor, uma inteligência brilhante e uma capacidade (rara) de transformar diagnósticos em propostas de ação, e estas em resultados concretos.

(Wanda para André)

O André era uma dessas raras pessoas brilhantes. Tinha a capacidade de fazer você se achar um cara hiper interessante quando conversava com ele.

(Cezar para André)

Num mundo marcado por ondas de intolerância e desânimo, André foi sempre e será sempre uma sólida lembrança de que não somos, nem precisamos ser, nada disso.

(Mirela e PB para André)

André buscou, de forma obsessiva, cruzamentos, encontros e “muvucas”, como gostava de dizer. Entusiasmava com a energia da paixão pela tese defendida; e foram várias.

(Ricardo Henriques para André)

Há pessoas que partem e viram memória, continuam encarnadas em nossa mente, nossos corações, nossos afetos.

(Jailson para André)

Eu admirava o André: pelo seu espírito agregador, seu desprendimento, sua entrega sem limites à vida. Como todos os seus muitos amigos, eu sinto o Rio meio vazio depois que ele se foi.

(Amadeo para André)

Conviver com André era muito fácil, pois estava sempre de bom humor, transbordando alegria. Generoso, sempre disposto ajudar e com uma palavra amiga.

(Rosária para André)